segunda-feira, 23 de março de 2009

O embaixador do morro

Cantor. Compositor. Instrumentista.

Bezerra da Silva nasceu na cidade de Recife(PE) e foi para o Rio de Janeiro aos 15 anos, escondido num navio, e lá ficou trabalhando na construção civil.

Tocava percussão desde criança e logo entrou em um bloco carnavalesco, onde um dos componentes o levou para a Rádio Clube do Brasil, em 1950. A partir daí passou a atuar como compositor, instrumentista e cantor, gravando seu primeiro compacto e 1969 e o primeiro LP seis anos depois.

Inicialmente gravou cocos sem sucesso. Mas a partir da série Partido Alto Nota 10 começou a encontrar seu público. O repertório de seus discos passou a ser abastecido por autores anônimos (alguns usando codinomes para preservar a clandestinidade) e Bezerra notabilizou-se por um estilo "sambandido", precursor mesmo do "gangsta rap" norte-americano. Antes do hip hop brasileiro, ele passou a transmitir do outro lado da trincheira da guerra civil não declarada: "Malandragem Dá Um Tempo", "Seqüestraram Minha Sogra", "Defunto Cagüete", "Bicho Feroz", "Overdose de Cocada", "Malandro Não Vacila", "Meu Pirão Primeiro", "Lugar Macabro", "Piranha", "Pai Véio 171", "Candidato Caô Caô". Em 1995 gravou pela Sol "Moreira da Silva, Bezerra da Silva e Dicró: Os Três Malandros In Concert", uma paródia ao show dos três tenores, Pavarotti, Domingo e Carreras.

O sambista virou livro em 1998, com "Bezerra da Silva - Produto do Morro", de Letícia Vianna.

Em 28 de outubro de 2004, aos 77 anos, foi internado no CTI da Casa de Saúde Pinheiro Machado, em Laranjeira, Zona Sul do Rio de Janeiro com pneumonia e efisema pulmonar, sendo induzido ao coma, como parte do tratamento. Posteriormente foi transferido para o Hospital dos Servidores do Estado, onde faleceu no dia 17 de janeiro de 2005 em decorrência de uma parada cardíaca.


* 23/2/1927 Recife, PE
+ 17/1/2005 Rio de Janeiro, RJ

quarta-feira, 11 de março de 2009

Carapreta.

Um dia desses numa das minhas inúmeras viagens de ônibus que recheiam minha rotina, me deparei com uma figura que era comun e diferenciada em simultaneidade. Era mais um entre váris pedintes que adentram os veículos do transporte público com a permissão do motorista para recolher a esmola, bem típico.

Porém o que chamou a minha atenção foi o seu rosto. O sujeito havia se pintado com tinta preta e fez dois traços na bochecha na posição vertical. Um verde e o outro amarelo em clara alusão à bandeira nacional.

O mais curioso foi a sua primeira frase: "Não estou fazendo protesto, nem nada..." Eu logo pensei: "Ora, é claro que é um protesto. É a própria mazela social protestando!". Aquele rosto negro signficava tudo o de obscuro o que passou até chegar àquela condição de morador de rua. As cores da bandeira explicitam qual é o produto da situação brasileira, ele é o resultado áureo dos problemas do Brasil.

E no dia em que a ferida ficou ainda mais exposta, o homem recolheu alguns centavos, pediu a benção de Deus aos contribuintes e saltou. Talvez naquele ônibus só eu tenha saído com os ouvidos zunindo pelo grito silencioso que o homem fez. Até a próxima viagem.



PS: História verídica.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Krakatoa e a nova explosão

Na data de 27 de Agosto de 1883, uma pequena ilha no sudeste asiático provocou um dos mais fascinantes e danosos fenômenos que a natureza provocou. A ilha de Krakatoa, que se localizava entre as ilhas de Sumatra e Java era basicamente um conjunto de 4 vulcões de tamanhos diferentes que se tornou uma verdadeira bomba de pressão.

A ilha surgiu pelo contato do magma, que fica embaixo da crosta terrestre, com as águas do oceano. Com a continuidade do contato, a ilha surgiu na superfície ficando a aproximadamente 2000m acima do nível do mar. E pela mesma atividade vulcânica ocorreu a explosão.

Os dados são simples e monstruosos. Num raio de 15km, quem escutou a explosão teve os tímpanos perfurados. Ocorreu uma forte “chuva” de cinzas, que chegaram até Londres. Pela explosão, formou-se um poderoso tsunami e pelas rochas caídas na água uma onda de 40m de altura. Rochas magmáticas foram lançadas a tal altura que atingiram a órbita terrestre. O mundo explodiu.

Anos depois a ilha ainda é muito estudada. Justamente pelo motivo que não se encerrou a atividade vulcânica e uma nova ilha já cresce no local que é Krakatau(Filho de Krakatoa).

Krakatau já atinge 800m de altitude e tem a tendência de continuar crescendo. Geólogos e geógrafos fazem previsões sobre o local. Não se sabe quando pode ocorrer uma nova explosão, mas sabe-se que é quase certeza que ocorrerá e que a probabilidade de ser mais forte que a de 1888 é considerável.

Uma explosão mais forte? Que magnitude ela teria sobre toda a Terra? Seria um mini-armageddon?

O homem que se cuide, pois a cada degradação que ele faz, a natureza responde dez vezes mais.