quinta-feira, 4 de junho de 2009

Dolce

Tal qual uma veste branca manchada
Gritante, explícita, ali, forte.

É assim que me vejo o conjunto eu-mundo
É tão fácil ver que cada um se resume
Na sua mediocridade, no seu olho central
Cada um por si e eu pelo meu
É nojento e comum, ser assim imundo

Nem mesmo aquele que vos fala escapa
Me comprimo na caixa toráxica desse verme
Verme maldito, me faz ser como ele
Alimentando-se de meus sonhos e anseios

Assim então permaneço, me escondendo
Atiro de longe, sem expor a cabeça
Covardia nobre e sem tamanho
Vosso erro é o meu divertimento
Vossa queda me põe num estandarte

Olho os pés que me rodeiam putrefatos
Aponto, faço o escárnio, doce riso maléfico
Mas não observo os vermes
Que já corroem minhas pernas, exalando o cheiro da hipocrisia

Mas talvez vossa excelência que agora lê
Tortuosas linhas, versos perversos
Tenha identificado-se com alguns rabiscos
Estrofes que funcionam como espelho
Que te fazem ver o quão deteriorado ficaste
Talvez não tenho sido o único impuro

Até mesmo, porque todos têm a alma bipartida
Não há alguém que mostre apenas seu lado límpido
Que não destile seu veneno quando sente-se ameaçado
Assim é feito um conjunto de animais peçonhentos sorridentes
Sorrimos com a face do demônio
para que ao fechar dos olhos, a subversividade venha

Ah, mas é tão doce é mais simplório e fácil
Assim permanecer.
Afinal, entre matar ou morrer
A primeira escolha é certeira e conveniente.

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