sábado, 19 de abril de 2008

As duas faces de um gênio

Amor incondicional ou ódio mortal, fãs fervorosos ou críticos ferrenhos, gols e talento exaltados ou questionados.

Não existe indiferença em relação a Romário de Souza Faria. Nem de quem pouco se importa com o que acontece no campinho nosso de cada dia.

E tampouco o "Rei da Mídia" quer isso. O jogador que mais soube usar a visibilidade em seu proveito - ou não - nunca quis passar despercebido. Para o bem ou para o mal.

Por isso, nesta homenagem ao craque aposentado, este texto se nega a ficar míope e enxergar apenas um lado de um personagem multifacetado.

É dever lembrar do estilo diferenciado; dos lances fantásticos; da fase espetacular no Barça em 93, onde conseguiu - para este colunista - o desempenho mais próximo de Pelé, numa união de beleza e objetividade assustadora; de comandar, quase como o "Exército de um homem só", o ataque na Copa de 1994, do sensacional ano de 1997, quando se sentiu desafiado pelo Fenômeno Ronaldo e conseguiu melhores números e performances na Seleção do que o bi da Bola de Ouro, com direito a golaços contra México e Itália e lançamento de letra de 30 metros para o Roberto Carlos; do "elástico" em Amaral; dos 73 gols em 2000, quando colocou na cabeça que queria voltar à Seleção e jogou como nunca e, por último, a artilharia, aos 39 anos, do Brasileiro de 2005 e a perseverança na busca do "milésimo".

Mas também não dá para esquecer a indolência; o egocentrismo de quem chegou a se denominar Deus e sempre buscava privilégios e esquecia que o esporte que praticava é coletivo; as agressões a companheiros e torcedores; algumas misteriosas "contusões" em jogos decisivos; o incrível gol perdido na final de 94 contra a Itália e a pífia atuação, anulado por um Baresi alquebrado; as promessas não cumpridas no Flamengo, os inúmeros inimigos que conquistou por onde passou, as Copas que deixou de disputar por conta de seu temperamento e, por fim, a falta de timing para perceber o melhor momento de parar.

Aliás, até o anúncio de seu adeus aos gramados é polêmico e inesperado, divulgado quase "en passant", no lançamento de seu DVD. Para muitos, um alívio e motivo a mais para massacrá-lo; para outros, um momento de triste nostalgia.

Romário na ótica de seus críticos será sempre "O artilheiro desnecessário". Para seus admiradores, a alcunha que somente outro craque genial e genioso como Johan Cruyff poderia criar para definir perfeitamente um jogador (e não atleta) indecifrável: "O Gênio da Grande Área".

Indiferente - ou não - a isso tudo, o Baixinho vai seguir seu caminho. Provavelmente mais um jogo de despedida o trará de volta ao cenário futebolístico e novamente ele será o centro das atenções. Mais munição para fiéis e detratores.

Isso é Romário. E vai ser difícil apagar da lembrança.

Valeu, Baixinho! Apesar de tudo...



por André Rocha.


http://youtube.com/watch?v=2wIC36KT97E



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