domingo, 25 de maio de 2008

A hora do adeus.



A força do guerreiro se reconhece no campo de batalha.

Em Roland Garros, ainda desconhecido, Gustavo Kuerten desmantelou seus adversários para conquistar a primeira das três coroas e ter seu coração, instantaneamente, flechado pelos encantos de Paris.

Como o herói grego Aquiles, Guga, sozinho, fez da raquete espada para riscar sua trilha gloriosa no tênis mundial.

Ainda que o calcanhar nunca o abandonasse, seu quadril o colocou defronte ao inevitável abandono das quadras.

Guga gostaria, nós gostaríamos, mas não pode lutar mais.

Aos 31 anos, haverá de interromper seus golpes no terreno que o consagrou.

O primeiro duelo em Roland Garros em 2008 é a caminhada para uma derrota sabida (a menos que o destino apronte alguma).

Exatamente como fez o herói grego na derradeira batalha em Tróia.

Mas para o verdadeiro guerreiro, a vitória é detalhe frente à verdadeira graça de combater.

Nada melhor que os tempos de luta tenham um fim em seu solo favorito: o saibro.

Onde ele desenhou sonhos e corações.

Guga fez para o Brasil o que nenhum guerreiro imaginou e só por isso merece um templo no esporte nacional.

Talvez até haja alguém para contestar seu real valor.

Não importa.

O que fica é a História de suas conquistas.

Na França, a odisséia de Guga terá um final feliz.



por Rodrigo Focaccio, adaptado por Guilherme Pereira.



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