Cheguei em casa num fim de sexta – feira desses, ao entardecer. Aquela leve animação pela semana ter terminado e daria um rápido adeus à rotina para aproveitar do final de semana. Larguei as coisas no sofá e deitei no sofá, relaxando e planejando o que fazer nos dias de folga.
Repentinamente o celular toca. Veio o convite para aquela cervejada da sexta – feira, aquela que todo mundo adora, bem no dia onde ela desce com um sabor diferente por não ter que trabalhar no outro dia. Não deu outra, topei e fui me arrumar.
Já no local uma porção de gente desconhecida e algumas outras bem familiares. Um cumprimento geral para não ter que deixar de falar com alguém e logo me sentei. Sentei para levantar. Logo começaram a me apresentar os desconhecidos, dizendo onde trabalhavam, de onde eram, o que faziam. Quase uma ficha completa, só faltou o RG.
Todos foram amistosos, exceto um que sentava-se escorado na parede. Ficava meio largado com um sorriso debochado na cara, sempre falando. Cumprimentou-me com uma rápida olhada de canto e um aceno. A momento não tinha visto nada de estranho, não esperava uma celebração de alguém que nunca tinha visto na vida.
Quando finalmente pude relaxar e ficar sentado, recebi meu copo e comecei a celebrar com todas aquelas pessoas. Entre goles e goles os assuntos passavam e comecei a me atentar ao cara da parede. Era um tanto estranho, para cada coisa falada ele tinha uma frase pronta e uma segurança em mandá-las.
Nada de opiniões embasadíssimas, nada. Mas apenas o gosto de aparecer e gerar uma polêmica barata momentãnea. Saquei logo o tipo do rapaz, típico arrogante. Fazia cara feia quando discordavam, se enchia de orgulho quando concordavam.
E apenas osbervando o reinado dele, resolvi jogar aquele jogo. O que teria a perder?
Logo o papo da mesa caiu num assunto que foi peça – chave do nosso “embate”. Ambos de sorrisos um tanto amarelados no rosto, começamos a falar sobre futebol.
Futebol, tão corriqueiro e comum, foi o que deixou ele “quebrado”. Ao início desse assunto ele disparou que tinha uma memória futebolística invejável, tanto em acontecimentos, como em dados. Apenas escutei isso e logo parti para a ofensiva. Ele contra-atacava, eu fazia o mesmo. Logo o jogo ficou franco, mas peguei num leve erro que colocou fim à peleja.
Falando nas antigas Copas do Mundo, ele cometeu uma leve gafe em confundir duas seleções antológicas. Ao invés de se referir à Holanda de 1974, referiu-se como se a Laranja Mecânica fosse de 1954, onde a Hungria fez história.
Apenas um número e toda uma pose destruída. Não que eu quisesse, mas o desafio era bom e não pude resistir.
Depois, em casa fiquei pensando quantos “malandros” desses não existem? Quantas rodas de bar não têm um exemplar desse? Os prepotentes são figuras da sociedade, existem aos montes. E nem por uma queda aqui e outra ali mudam, é algo crônico.
Mas eles têm sua utilidade para o restante das pessoas. No sentido de sentir-se valorizado. O quão bom é desmentir um elemento que se acha dono da verdade? É muito bom, sensação de vitória, uma medalha de ouro na mesa do bar.
Particularmente sempre gosto de fazê-lo e depois suspiro aliviado pensando como seria meu ego se não existissem eles para aumentá-lo. Esses prepotentes são mesmo bons, hein?


2 comentários:
Tá andando muito com Amy, hein? :B
Muito bom o seu blog Guilherme e gostei da sua posição, em relação ao conflito Árabe-Israelense e outros assuntos postados. Tenho muito o que aprender com outros blog´s como o seu.Valeu.
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