Na casa pequena, quente, apertada
Na ladeira suja, recheada de ratos
A mão grita, esperneia, se agarra
Range os dentes e se contorce
O quinto filho vem nascendo, violento
Nasce pequeno, prematuro
Fraco
Fraco
Fraco
Fraco
A mãe tenta achar médico para o rebento
mas seu destino parece já traçado
Adoece, quase morre, enfraquece mais
Pouca roupa, pouco leite, pouco cuidado materno
Fumo e álcool na gestação, garoto de sorte
De tão fraco e pequeno, agora parece
Forte
Forte
Forte
Forte
Crescimento lento, aos trancos e barrancos
Cada gripe pode ser fatal para o moleque
Mas parece ser daqueles “sangue ruim”
Espancado em casa, espancado na rua
A vida começa a projetar o demônio
O medo nasce, barril de pólvora para o ódio
Mas por enquanto só se esconde, sente
Medo
Medo
Medo
Medo
O tempo correu, ligeiro os ossos alongaram
Corpo de homem, passou a bater agora
Sem estudo algum, educação familiar nula
Logo encontrou o crime como saída
Teve o livre-arbítrio cruel
Ou entrava para o “movimento” ou
Morte
Morte
Morte
Morte
Jovem adulto, cabeça criminal formada
Regada com maconha e cocaína, no aniversário
Roubando para não morrer de fome
Matando para não ser morto
Risco constante, sono leve
Sempre pronto para agir
Sempre pronto para
Matar
Matar
Matar
Matar
Mas numa dessas noites casuais
Achou seu destino traçado desde a barriga
O Estado que causa e pune ao mesmo tempo
agiu forte, ríspido, direto ao ponto
Banho de sangue rotineiro, nada incomum
E o moleque agoniado encontrou finalmente
Paz
Paz
Paz
Paz
O jornal estampou grande o evento
Os gordos e gordas dos apartamentos leram
Hipocritamente se chocaram, comoveram
Fecharam o jornal e foram viver suas vidas
Mas numa outra favela, havia uma outra mãe
Deitada, agarrada na cama e só se ouvia mais um
Grito
Grito
Grito
Grito
segunda-feira, 11 de maio de 2009
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2 comentários:
ficou muito bom
bom
bom
bom
...
[eu mongol]
bjoooos...
Arrepiei '-'
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