sábado, 30 de agosto de 2008

A jaula

Acordou como por volta das 7 da manhã como de costume. Levantou devagar para mais um dia idêntico aos passados. Se banhou no chuveiro barulhento e se aprontou como manda o regimento da empresa. Engoliu seco o café e o pão e foi embora.
Enfrentou o trânsito caótico, barulhento. O stress aumentou e o cigarro foi aceso. Logo o maço todo foi embora e uma aparente tranquilidade permaneceu. Ligou o rádio numa estação qualquer, não importava a música o importante era não surtar.
Chegou ao trabalho, viu o de sempre. Mesmo porteiro, colegas de trabalho, a secretária do chefe. Todos com uma cara de cansaço de se verem todos os dias, todos saturados de irem e voltar sem nada mudar, apenas seguir a mesma batida.
Meio dia e todos desceram do prédio. O conjunto de edificações empresariais ficou movimentado. Todos aqueles funcionários enjaulados saíram pra manterem suas energias e continuarem sendo as máquinas do setor terciário.
O nosso animal de estudo comeu muito numa quantidade de tempo muito pequena. Pagou pelo que consumiu e levou mais um cigarro. Acendeu – o e se libertou por alguns segundos da rotina que ainda estava na metade. Ele tinha em consciência que algo estava errado, mas não conseguia se livrar.
Foi quando o acaso agiu.Da sua janela ao lado do computador ultrapassado, olhou para baixo e viu um garoto. Aparentava uns 6 anos de idade e estava sozinho. Apenas ele, o pequeno jardim e o concreto. Brincava com uma bola e cantava cantigas infantis.
Nosso excelentíssimo rapaz apenas observou o menino. De tanto olhar o garoto olhou para o alto e o viu no vidro. Ao perceber a fixação, o garotinho fez apenas um gesto, chamando-o para fora, como quem quer brincar com um bicho de zoológico.
Encheu-se de algo inexplicável e sentiu-se preso, sufocado naquele escritório. Era uma jaula, apertada demais e não tinha nenhum atrativo.
Juntou seus pertences numa caixa antiga e atirou na lixeira. Convidou a mocinha da sala ao lado pra jantar e por fim, na sala do chefe, se demitiu.Desceu com um sorriso na cara, enquanto todos o invejavam por estar feliz.
Ao chegar no térreo, procurou o garoto. Não havia ninguém, apenas o jardim, o concreto e a bola abandonada. Ele olhou para o alto, soltou um grito de alívio. Pronto, o animal saiu de sua jaula, o homem se libertou das correntes, era livre como o garoto.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

E numa mesa de bar...

Cheguei em casa num fim de sexta – feira desses, ao entardecer. Aquela leve animação pela semana ter terminado e daria um rápido adeus à rotina para aproveitar do final de semana. Larguei as coisas no sofá e deitei no sofá, relaxando e planejando o que fazer nos dias de folga.

Repentinamente o celular toca. Veio o convite para aquela cervejada da sexta – feira, aquela que todo mundo adora, bem no dia onde ela desce com um sabor diferente por não ter que trabalhar no outro dia. Não deu outra, topei e fui me arrumar.

Já no local uma porção de gente desconhecida e algumas outras bem familiares. Um cumprimento geral para não ter que deixar de falar com alguém e logo me sentei. Sentei para levantar. Logo começaram a me apresentar os desconhecidos, dizendo onde trabalhavam, de onde eram, o que faziam. Quase uma ficha completa, só faltou o RG.

Todos foram amistosos, exceto um que sentava-se escorado na parede. Ficava meio largado com um sorriso debochado na cara, sempre falando. Cumprimentou-me com uma rápida olhada de canto e um aceno. A momento não tinha visto nada de estranho, não esperava uma celebração de alguém que nunca tinha visto na vida.

Quando finalmente pude relaxar e ficar sentado, recebi meu copo e comecei a celebrar com todas aquelas pessoas. Entre goles e goles os assuntos passavam e comecei a me atentar ao cara da parede. Era um tanto estranho, para cada coisa falada ele tinha uma frase pronta e uma segurança em mandá-las.

Nada de opiniões embasadíssimas, nada. Mas apenas o gosto de aparecer e gerar uma polêmica barata momentãnea. Saquei logo o tipo do rapaz, típico arrogante. Fazia cara feia quando discordavam, se enchia de orgulho quando concordavam.

E apenas osbervando o reinado dele, resolvi jogar aquele jogo. O que teria a perder?

Logo o papo da mesa caiu num assunto que foi peça – chave do nosso “embate”. Ambos de sorrisos um tanto amarelados no rosto, começamos a falar sobre futebol.

Futebol, tão corriqueiro e comum, foi o que deixou ele “quebrado”. Ao início desse assunto ele disparou que tinha uma memória futebolística invejável, tanto em acontecimentos, como em dados. Apenas escutei isso e logo parti para a ofensiva. Ele contra-atacava, eu fazia o mesmo. Logo o jogo ficou franco, mas peguei num leve erro que colocou fim à peleja.

Falando nas antigas Copas do Mundo, ele cometeu uma leve gafe em confundir duas seleções antológicas. Ao invés de se referir à Holanda de 1974, referiu-se como se a Laranja Mecânica fosse de 1954, onde a Hungria fez história.

Apenas um número e toda uma pose destruída. Não que eu quisesse, mas o desafio era bom e não pude resistir.

Depois, em casa fiquei pensando quantos “malandros” desses não existem? Quantas rodas de bar não têm um exemplar desse? Os prepotentes são figuras da sociedade, existem aos montes. E nem por uma queda aqui e outra ali mudam, é algo crônico.

Mas eles têm sua utilidade para o restante das pessoas. No sentido de sentir-se valorizado. O quão bom é desmentir um elemento que se acha dono da verdade? É muito bom, sensação de vitória, uma medalha de ouro na mesa do bar.

Particularmente sempre gosto de fazê-lo e depois suspiro aliviado pensando como seria meu ego se não existissem eles para aumentá-lo. Esses prepotentes são mesmo bons, hein?

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O que me guarda, madrugada?

Ah, doce madrugada

poucas horas e tanta grandeza

tanto acontece em ti

com tanta pureza


Esse espaço de poucas horas

onde os pensamentos fluem

idéias surgem

gênios se descobrem


Quisera eu que o dia fosse assim

Todo madrugada

para o céu estrelado ser eterno

E olhar sem me preocupar com nada


Nessa virada de dia

me transformo

sou músico, galã, poeta

Visto a minha alegoria


Os acordes vão fluindo nas mãos

Transbordam harmonia

A cada toque nas cordas, uma viagem

que doce sinfonia


Junto sons às minhas palavras

Soltas, sem nexo. Juntas, podeoras

Uma fusão eufórica, colorida

Agora é canção, cheia de vida


Enquanto destilo minha alma nos sons

cada um faz sua própria madrugada

seja a gente fina, ou aqueles da cocaína

Somos agentes dessa aura que se forma


Mas aqueles que amam..

Ah, sim! Esses gozam dessas horas

Tornando-se um com o amado

sinfonia apaixonante


Entre gemidos e declarações

constroem, destroem

nascem, morrem

Mas sobretudo, amam


Cada fato

Bom ou ruim

é parte desse mundo que dura seis horas

tão pouco perto da imensidão que representa




Seis horas e nada mais

Porque o Sol já vem

e com ele o até logo dela

minha, tua, nossa amada madrugada


quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Emo, Indie, From Uk e coisa e tal..

Vamos pular as definições, sem saco para definir cada "tribo" dessa.

Estamos em uma época confusa do cenário musical em geral, não só no Rock, mas em praticamente todos os estilos.
Vemos algumas transformações recentes e explosões de pequenos fenômenos que traduzem essa nova fase musical.

O Rap se tornou o "novo pop". Não, obviamente os artistas pops não deixaram de surgirem ou serem lançados, longe disso. Entretanto, a linha de raciocínio do rap se perdeu nos grandes nomes que o representam. As letras passam longe de críticas a sociedade, protestos ou algo do gênero. Apenas vemos o esquema "mulher-dinheiro-poder" nas letras, o que faz muito sucesso entre o público.

Levando mais atenção ao Rock dezenas de bandas se misturam num "novo" estilo de fazer música. Indie Rock, Emocore, "Neopunk".... Existem tantas denominações que confudem quem está desatento a esse cenário.
E como não é de se espantar essas novas bandas levam a formação de novas tribos que seguem o estilo de se vestir, de se comportar e claro a música de seus ídolos.

Temos Indies que seguem bandas que não são tão famosas e são constantemente confundidos com emos que por sua vez teve uma grande maioria que "fugiu" para a tribo From Uk, embora não tenham mudado em quase nada.

Excluindo diferenças de gostos, estilos de se vestir e afins, a grande questão é o que essas tribos representam para a história da música.
O que será que falaremos no futuro sobre o que acontece hoje?

Vemos que ao longo da história desde a década a metade do século XX, nenhuma década deixou de contribuir com uma boa importância para a música.Obviamente pode-se dizer que década X influenciou mais que década Y, mas isso é julgamento pessoal.

E mesmo com a história retratando esses ocorridos, a parte crítica(e pseudo-crítica) da sociedade vê com repulsa o nascimento dessas tendências musico-comportamentais.
O que com certeza ocorreu com outras tribos como os hippies e punks, por exemplo.
Longe de fazer uma comparação entre o que vivemos hoje e o ocorrido no passado, mas o tratamento em relação à "novidade" é muito similar.

Hoje vemos com bons olhos grandes bandas que surgiram no passado, mas quem garante que as próprias bandas e seus fãs não sofreram represálias?
Várias pessoas gostariam de viajar até o passado para reviver Woodstock, mas como há uma mania de endeusamento do passado, apenas vemos o "fino", os gênios da música tocando, a liberdade e nada dos pontos negativos, pois não vivemos aquela época.

O que essas vertentes da música significarão para a sociedade só saberemos no futuro, mesmo com todo julgamento contrário.
Toda essa revolução será interpretada de outra maneira daqui a 20, 30 anos. Nos resta esperar.

domingo, 17 de agosto de 2008

Cubo apoteótico.

Nem o "Ninho do Pássaro" que foi tão guardado teve tanto brilho.
O grande palco olímpico dos jogos de Pequim é com toda a certeza o Cubo d'água. O que foi visto durante as provas de natação foi algo inédito na história do esporte mundial.

Os atletas nadaram, os chineses sorriram pelo sucesso dos Jogos e pelo belo espaço e o mundo, boquiaberto viu, torceu e gritou com o a história sendo reescrita naquela piscina.

Nada mais nada menos que 25 recordes foram superados. Entre eliminatórias e finais os atletas foram quase que sobrenaturais nas águas chinesas.
A linha gráfica que representa o recorde mundial e é desenhada na imagem ficou desmoralizada em várias provas. E principalmente por ele, o gênio.

Michael Phelps. Um nome e sobrenome marcados para sempre na história. Simplesmente o maior atleta olímpico de todos os tempos. 8 medalhas de ouro, um recorde. Recorde regado a treino, talento, companheirismo no revezamento, superação e o maiô espacial.
Ele assombrou o mundo, deixou os adversários sem fuga... Como competir com alguém que não 'humano'?

Phelps de certo ultrapassou a linha entre os grandes atletas de ponta e os gênios do esporte.
E como sabemos bem, contra gênios não se pode competir.. Maradona, Senna, Spitz, Lewis entre tantos outros.

O Cubo foi também palco da vitória verde-amarela. César Cielo depois do bronze nos 100m livre em entrevista logo após a prova disparou: "Eu vou buscar o ouro nos 50m"
Cielo nasceu com alma de campeão. Não hesitou em sair do país para treinar, sempre manteve seus resultados e arcou com sua promessa.
Ganhou e ficou pra história do Brasil. E como brasileiro de verdade, se emocionou com o hino
Ouro com saber de centenas e merecido

Daqui a 20 anos, contarei com certeza sobre esse Cubo. Cubo Mágico, o Cubo da Apoteose.

sábado, 16 de agosto de 2008

Retornando..

Reativando o blog com uma pequena poesia de minha autoria.
Aproveitem.

"O dia nasceu com o Sol gélido,
combinando com os indivíduos
frios, secos e ríspidos
Vão e vem com as faces desfiguradas

O ser humano moderno e apático
não se importa se é dia ou noite
calor ou frio
mas apenas consigo mesmo

Observo a rotina que nos atinge
e me indago, “Onde está a beleza?”
Onde está o “bom dia” amigável?
E o abraço? E o “eu te amo”?

Perdemos nossa graça, nossa cor
Não nos sentamos mais para ver o pôr-do-sol
A graça de brincar com o filho,
de se reunir com os amigos,
de se banhar na chuva,
se esvairiu durante o tempo.

Nos tornamos sem graça, sem alma
gélidos como o Sol que nasceu
Sem alma, sem amor
Estamos cinzas, sem cor

Estamos mortos, meu caro
Cada um recluso em seu mundo
Enclausurado em sua própria ignorãncia
Em sua arrogância e frieza

Tudo fruto do medo
Do medo de amar,
de sentir as mais fortes emoções,
de arriscar no improvável...
Resumidamente, medo de viver

Mas entre os seres,
mecanizados, petrificados
Há pequenos pontos de esperança
Esperança que apenas parece morta,
mas que insiste em seguir o velho ditado

Esses pontos são pequenos botões
que se mantém vivos, porém fechados
Entretanto, ao menor feixe de luz
se abrirão e brilharão intensos

Os botões que se abrem
são justamente os que se permitem viver
que arriscam sem medo,
que crêem no impossível

São aqueles que têm no coração
a singela e perpétua esperança
Esperança, Ah! Doce esperança

Ela se traduz ma mais importante beleza,
a de viver
que habita cada um que se abre para a vida

e reluz, forte, arrebatadora

A beleza da vida inflama
capacita, surpreende
e há de transformar o imutável...
Basta acreditar"