sexta-feira, 3 de abril de 2009

Day after day

Todo se baseiam no medo
No medo de perder o que lhe convém
Guardam em segredo
O que não conseguem falar pra alguém

Medo de morrer, de viver
Medo de fracassar, empobrecer
Medo do desconhecido
Medo do conhecido

Relacionamentos assim
Medrosos e convenientes
Onde um simples “sim”
É carregado de intenções adjacentes

Amamos por conveniência
Choramos por conveniência
Oramos por conveniência
Agradamos por conveniência

Cada um voltado em seu umbigo
Somando-se ao que está do lado
Formando uma multidão
Um mundo gigante e desunido

Ao menor fracasso de um
É morte e a vida segue em frente
Porque não dá pra parar
Não é conveniente

segunda-feira, 23 de março de 2009

O embaixador do morro

Cantor. Compositor. Instrumentista.

Bezerra da Silva nasceu na cidade de Recife(PE) e foi para o Rio de Janeiro aos 15 anos, escondido num navio, e lá ficou trabalhando na construção civil.

Tocava percussão desde criança e logo entrou em um bloco carnavalesco, onde um dos componentes o levou para a Rádio Clube do Brasil, em 1950. A partir daí passou a atuar como compositor, instrumentista e cantor, gravando seu primeiro compacto e 1969 e o primeiro LP seis anos depois.

Inicialmente gravou cocos sem sucesso. Mas a partir da série Partido Alto Nota 10 começou a encontrar seu público. O repertório de seus discos passou a ser abastecido por autores anônimos (alguns usando codinomes para preservar a clandestinidade) e Bezerra notabilizou-se por um estilo "sambandido", precursor mesmo do "gangsta rap" norte-americano. Antes do hip hop brasileiro, ele passou a transmitir do outro lado da trincheira da guerra civil não declarada: "Malandragem Dá Um Tempo", "Seqüestraram Minha Sogra", "Defunto Cagüete", "Bicho Feroz", "Overdose de Cocada", "Malandro Não Vacila", "Meu Pirão Primeiro", "Lugar Macabro", "Piranha", "Pai Véio 171", "Candidato Caô Caô". Em 1995 gravou pela Sol "Moreira da Silva, Bezerra da Silva e Dicró: Os Três Malandros In Concert", uma paródia ao show dos três tenores, Pavarotti, Domingo e Carreras.

O sambista virou livro em 1998, com "Bezerra da Silva - Produto do Morro", de Letícia Vianna.

Em 28 de outubro de 2004, aos 77 anos, foi internado no CTI da Casa de Saúde Pinheiro Machado, em Laranjeira, Zona Sul do Rio de Janeiro com pneumonia e efisema pulmonar, sendo induzido ao coma, como parte do tratamento. Posteriormente foi transferido para o Hospital dos Servidores do Estado, onde faleceu no dia 17 de janeiro de 2005 em decorrência de uma parada cardíaca.


* 23/2/1927 Recife, PE
+ 17/1/2005 Rio de Janeiro, RJ

quarta-feira, 11 de março de 2009

Carapreta.

Um dia desses numa das minhas inúmeras viagens de ônibus que recheiam minha rotina, me deparei com uma figura que era comun e diferenciada em simultaneidade. Era mais um entre váris pedintes que adentram os veículos do transporte público com a permissão do motorista para recolher a esmola, bem típico.

Porém o que chamou a minha atenção foi o seu rosto. O sujeito havia se pintado com tinta preta e fez dois traços na bochecha na posição vertical. Um verde e o outro amarelo em clara alusão à bandeira nacional.

O mais curioso foi a sua primeira frase: "Não estou fazendo protesto, nem nada..." Eu logo pensei: "Ora, é claro que é um protesto. É a própria mazela social protestando!". Aquele rosto negro signficava tudo o de obscuro o que passou até chegar àquela condição de morador de rua. As cores da bandeira explicitam qual é o produto da situação brasileira, ele é o resultado áureo dos problemas do Brasil.

E no dia em que a ferida ficou ainda mais exposta, o homem recolheu alguns centavos, pediu a benção de Deus aos contribuintes e saltou. Talvez naquele ônibus só eu tenha saído com os ouvidos zunindo pelo grito silencioso que o homem fez. Até a próxima viagem.



PS: História verídica.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Krakatoa e a nova explosão

Na data de 27 de Agosto de 1883, uma pequena ilha no sudeste asiático provocou um dos mais fascinantes e danosos fenômenos que a natureza provocou. A ilha de Krakatoa, que se localizava entre as ilhas de Sumatra e Java era basicamente um conjunto de 4 vulcões de tamanhos diferentes que se tornou uma verdadeira bomba de pressão.

A ilha surgiu pelo contato do magma, que fica embaixo da crosta terrestre, com as águas do oceano. Com a continuidade do contato, a ilha surgiu na superfície ficando a aproximadamente 2000m acima do nível do mar. E pela mesma atividade vulcânica ocorreu a explosão.

Os dados são simples e monstruosos. Num raio de 15km, quem escutou a explosão teve os tímpanos perfurados. Ocorreu uma forte “chuva” de cinzas, que chegaram até Londres. Pela explosão, formou-se um poderoso tsunami e pelas rochas caídas na água uma onda de 40m de altura. Rochas magmáticas foram lançadas a tal altura que atingiram a órbita terrestre. O mundo explodiu.

Anos depois a ilha ainda é muito estudada. Justamente pelo motivo que não se encerrou a atividade vulcânica e uma nova ilha já cresce no local que é Krakatau(Filho de Krakatoa).

Krakatau já atinge 800m de altitude e tem a tendência de continuar crescendo. Geólogos e geógrafos fazem previsões sobre o local. Não se sabe quando pode ocorrer uma nova explosão, mas sabe-se que é quase certeza que ocorrerá e que a probabilidade de ser mais forte que a de 1888 é considerável.

Uma explosão mais forte? Que magnitude ela teria sobre toda a Terra? Seria um mini-armageddon?

O homem que se cuide, pois a cada degradação que ele faz, a natureza responde dez vezes mais.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

E agora, Mengo?

113 anos, mais de 30 milhões de torcedores e uma dívida que chega a cerca de R$ 305 milhões de reais. Essa é a situação de um gigante preso numa situação nebulosa chamado Clube de Regatas Flamengo.
Ao longo de sua história o rubro negro carioca, apelidado de “O Mais Querido” somou títulos, craques, glórias. Também somou tristezas em campo e agora soma uma gigantesca no saldo bancário.

Os primeiros indícios aparecem por volta de 1993, onde vários jogadores promissores foram dispensados do clube em vendas precipitadas para dar lugar ao um grupo de jogadores mais velhos que não renderam o esperado para o clube.

Desde então a administração do clube é sempre marcada por grandes vacilos e o constante aumento da dívida do clube.
O ano de 1995 foi um marco das gerências que passaram pelo clube. A contratação de Romário, que jogava no Barcelona, foi bombástica. E rendeu apenas um campeonato carioca. Em parâmetros de título foi pífio e do outro lado, sendo inversamente proporcional, a dívida crescia.

14 anos depois o monstro cresceu e quer engolir o clube. A ginástica foi ameaçada de não mais existir por medidas de corte de gasto. O time de basquete será leiloado. A renda das bilheterias está comprometida até 2014. E o clube corre para adiantar pagamentos de cotas de TV do ano que vem para quitar salários do ano passado e desse ano.
Se não bastasse, os juros compostos de 7% ao ano fazem com que o clube não consiga diminuir o que deve e afunde cada vez mais.
No financeiro, o clube vai mal das pernas. E o reflexo está no campo: 3x1 para o Resende na semifinal da Taça Guanabara.

E como um “Gran Finale” o clube passará por eleições este ano. Situação complicadíssima para o próximo presidente, que terá a missão de salvar um dos gigantes do futebol brasileiro.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Israel e o escudo do antissemitsmo.

Pegando um gancho em uma matéria da revista CartaCapital, em sua edição de 11 de fevereiro de dois mil e oito, levantam-se alguns questionamentos sobre a defesa de Israel sobre os supostos( e prováveis) crimes de guerra praticados em Gaza, o que possibilita o TPI(Tribunal Penal Internacional) a indiciar o Estado de Israel de crimes de guerra.

Durante os dias de massacre(sim, foi isso mesmo), Israel ignorou todas as cartas de petição de pausa nos ataques, que não passavam de apelos por paz. Contando com um dos exércitos mais poderosos do mundo e sem a presença dos Estados Unidos nesses pedidos, foram apelos ao vento.

O que deve ser entendido são duas coisas marcantes: A primeira é de que Israel, assim como vários países islâmicos, governa com a Torá(Lei). Mesmo com habitantes com religiões diferentes, o Estado pode ser classificado como um país judeu.

O segundo ponto se desenrola no "trauma" sofrido pelos judeus durante o Holocausto nazista no alto da Segunda Guerra Mundial. Ficam claro traços de que mesmo após mais de 60 anos depois do fim do conflito, ainda restam feridas no orgulho do povo israelita.

Tudo isso para um problema de pura e simples interpretação: Os judeus usam o antissemitismo como proteção. Pode parecer absurdo, depois de décadas. Mas sim, usam deste (triste) fato para se defenderem.

Funciona da seguinte maneira: Judeus de todo o mundo recebem hostilizações de ateus, cristãos e principalmente muçulmanos. Em contrapartida usam dessa perseguição para acusá-los de antissemitismo, de praticar o que foi um horror de guerra. O que beira um certo coitadismo.

O que levam os judeus a uma leve contradição. Enquanto acusam terceiros de um "neo antissemitsmo", cometem verdadeiras barbáries em Gaza. Destruíram hospitais, escolas, residências...
Aniquilaram, em números divulgados, 1.300 palestinos. Dentre estes vários civis que nada tem com o Hamas. Além dos milheres de feridos e desabrigados.

Deve-se ter um bom senso de quando são feitas críticas ao comportamento israelita, não se trata de perseguição religiosa. Não se trata se acreditam em Javé, Jesus, Alá ou Buda. Trata-se apenas de questão humanitária, de crimes cometidos em território fora do território israelita que serão julgados a nível internacional.

Retornando o blog com essa postagem. A média será de cerca de 3 postagens por semana.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A Explosão do Direito e a recessão matemática

É algo decorrente em todo o território brasileiro e ficou mais nítido ainda nos últimos anos. Mas para analisar vamos usar uma cidade em particular.Brasília, capital federal. Centro do funcionalismo público, talvez seja a cidade com maior número de servidores do governo "Estadual" e do governo federal por metro quadrado.
Ano após ano são lançados editais de processos seletivos para diversos órgãos do governo que são fortemente concorridos por milhares de concurseiros de Brasília e de todo país.
Geralmente nas provas é cobrada algumas noções de direito, seja constitucional, econômico entre tantos outros, o que faz com que muitos estudantes busquem as dezenas de faculdades de Direito espalhadas pela cidade.
É simples instituir esse curso, basta apenas divulgar a necessidade de professores, ter salas de aula e alguns poucos equipamentos para estudo. Um custo muito menor, por exemplo, para montar um curso de fisioterapia.
Logo, o curso de Direito na capital do Brasil se tornou apenas uma passagem para o funcionalismo público. Órgãos como a Polícia Federal exigem o diploma em Direito para o processo seletivo de Delegado, o que atrai e muito os concurseiros, principalmente pela remuneração oferecida.
Mas e os que não passam?Um caminho é a advocacia. Uma profissão antiga e nobre, mas muito incerta.
Mas o que realmente assusta é que, sobram advogados, juristas, consultores jurídicos não só em Brasília, mas em todo o país. E faltam engenheiros civis, elétricos..
Mesmo pela oferta do governo de tantos cargos, a questão é muito mais cultural.
A aversão por matérias que utilizam cálculos é algo enraizado desde as primeiras séries de nossas crianças. Os futuros profissionais aprendem desde cedo a "odiar a matemática".
É nítido em comportamento e dados. Se a média dos alunos em gramática é baixa, o de matemática é pífio, principalmente em relação a outros países.
O salário para um engenheiro? Altíssimo, principalmente pela pouca oferta de profissionais que são jogados por ano no mercado. As construtoras precisam aproveitar e pescá-los, pois a safra é escassa.
O país precisa de uma remodelação de ensino e um incentivo às áreas tecnológicas, não se pode ficar para trás em tempos tão acelerados, pois o sucesso e o fracasso estão sempre próximos, basta caminhar na direção certa.